Custos principais -  Basicamente, os gastos mais pesados de um parto se dividem entre: internação no hospital, obstetra, pediatra e anestesia.

Os planos médicos podem ou não cobrir estas despesas, dependendo da sua modalidade, que pode ser: ambulatorial, que inclui somente exames e consultas; hospitalar sem obstetrícia, que cobre consultas, exames e atendimentos hospitalares, à exceção da internação para o parto; hospitalar com obstetrícia, que inclui as coberturas dos planos anteriores, mais os custos referentes ao parto.
No plano hospitalar com obstetrícia, o cliente tem direito a consultas, exames e tudo o que for necessário para o parto no hospital, como obstetra, pediatra, anestesista, auxiliar do cirurgião e toda equipe incluída. A operadora é obrigada a fornecer esse atendimento.
 
Mas, apesar de os planos com obstetrícia serem obrigados a cobrir esses custos, na prática, muitos anestesiologistas não aceitam fazer o procedimento por meio do plano, assim como alguns obstetras. Nesses casos, o cliente deve arcar com as despesas e solicitar o reembolso depois. O problema é que nem sempre o valor reposto pela operadora compensará integralmente os gastos.
 
Certifique-se com antecedência se o seu médico realizará o parto pelo plano de saúde ou não - Além de planejar os custos da anestesia, também é importante que os pais se informem com antecedência se o médico que fez o acompanhamento do pré-natal cobrará à parte o acompanhamento do parto, ou se realizará o procedimento pelo plano médico.
 
Custos dos honorários médicos - O diretor da Sogesp explica que os honorários médicos podem variar muito, de acordo com a cidade e com o obstetra. Mas é possível dizer que facilmente os valores superam a casa dos mil reais.
 
Toledo ainda acrescenta que, em alguns casos, o próprio obstetra acorda com a paciente os honorários não só dele, como de sua equipe, na qual se incluem o instrumentador, que é o auxiliar que o assessora durante o parto, e o anestesiologista.
 
Se a paciente tiver plano com cobertura obstétrica, mas pagar os honorários médicos à parte, ela terá direito a reembolso. Mas aí, novamente, o montante reembolsado dependerá do que estiver previsto no contrato de cada plano.
 
Renata Vilhena Silva, advogada especialista em direito à saúde, afirma que é normal, não só em casos de partos, que beneficiários de planos de saúde enfrentem problemas ao tentar reembolsar honorários médicos. “Todo plano que prevê reembolso utiliza uma tabela de preços baseadas em unidades fiscais de valor estaduais. Acontece que essas tabelas não são atualizadas pela inflação, o que deixa seus preços defasados e os valores de reembolso, por consequência, muito baixos", diz.
 
De acordo com a advogada, essa defasagem tem sido questionada na Justiça, e em muitos casos os juízes têm determinado que as operadoras reembolsem o valor total do honorário médico. “Está sendo criada uma jurisprudência forte nesse sentido. Nós temos tido uma aceitação boa nesse tipo de defesa, com sucesso em mais de 90% dos casos”, afirma Renata.
 
Para que o paciente não precise chegar ao extremo de recorrer à Justiça para reivindicar um reembolso maior, a advogada orienta que seja solicitada à operadora uma prévia do valor que será repassado ao cliente.
 
Plano não cobre o parto se for contratado depois de descoberta a gravidez - A maioria esmagadora dos planos médicos possui carência de 300 dias para cobertura do parto. Por isso, caso a mulher engravide sem ter um plano de saúde, de nada adiantará contratá-lo depois para que ele cubra as despesas do parto, já que isso só ocorrerá depois de cumprida a carência.
 
Mas, mesmo sem a cobertura dos custos do parto, pode ser vantajoso contratar um plano para que as despesas com o pré-natal sejam cobertas. “Mesmo com a carência, vale a pena fazer o plano porque durante a gravidez são realizados muitas consultas e exames laboratoriais que oneram a paciente”, afirma o diretor da Sogesp.
 
Custos paralelos - Além dos custos principais já citados, existem alguns gastos paralelos que não devem ser ignorados.
 
Alguns hospitais cobram pelo acompanhamento do pai ou de outra pessoa durante o parto. A chamada taxa de paramentação é cobrada pela roupa esterilizada que o acompanhante usará. Mas como a mãe tem o direito de ter um acompanhante durante o parto, segundo prevê a Lei 1.108/2005 (Lei do Acompanhante), a cobrança da taxa é discutível. “A taxa de paramentação não deveria ser cobrada, mas do ponto de vista jurídico eu não saberia dizer até que ponto ela é permitida ou não”, afirma o diretor da Sogesp.. Ainda em relação à taxa, uma Resolução Normativa (nº 211/10) da ANS prevê que os planos hospitalares com obstetrícia incluam a cobertura de um acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Segundo a entidade, a existência e o valor da taxa devem ser negociados entre a operadora e o hospital, mas a cobrança não pode ser repassada à beneficiária, sob pena de descumprimento da Lei.
 
O Teste do Pezinho costuma ser incluído na cobertura dos planos de saúde com obstetrícia, mas as maternidades também oferecem extensões do teste, por um valor adicional. O Teste da Orelhinha, que verifica como está a audição do bebê, também costuma entrar na cobertura dos planos médicos . Mas para quem não tem plano e realiza o parto em hospital particular, o teste pode ser cobrado à parte. Os valores podem variar, por isso vale checar com antecedência os custos e se ele é coberto pelo plano.
 
O recém-nascido também precisa tomar duas vacinas logo após o nascimento, a BCG e a vacina contra a hepatite B. Elas são oferecidas gratuitamente na rede pública, mas na rede particular podem ou não ser cobertas pelos planos de saúde, segundo o diretor da Sogesp.
 
Custos para quem não tem plano de saúde - A mulher que engravida sem ter um plano de saúde, tem a opção de realizar o parto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou em hospitais particulares, que costumam oferecer os chamados “planos maternidade”, que incluem a internação no hospital e exames do recém-nascido, mas não costumam incluir os honorários médicos.
 
Segundo levantamento feito por telefone por EXAME.com com alguns hospitais de referência do país, os planos maternidade podem chegar a até 13 mil reais - valor cobrado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por três dias de internação. E caso haja necessidade de internação em UTI, a diária pode chegar a até 50 mil reais, como no Hospital Esperança, em Recife.
 
Considerando que o paciente ainda terá que pagar os honorários médicos, que podem custar também alguns milhares de reais, os custos de um parto particular podem equivaler ao preço de um carro popular.
 
Por isso, caso você ainda esteja planejando engravidar, vale a pena considerar a contratação de um plano de saúde com antecedência, para que os gastos não precisem ser pagos particularmente. 
 
Fonte da dica: exame/abril
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