ANS defende o aumento da comercialização de plano de saúde com taxa de utilização paga pelo consumidor (Plano Coparticipativo)

A (ANS)  Agência Nacional de Saúde Suplementar defende o aumento na comercialização de planos de saúde com coparticipação, modalidade em que o consumidor tem de pagar a parte um valor a mais para a cada vez que precisar fazer uma consulta, um tratamento ou um exame.
 
Atualmente, cerca de metade dos 55 mil planos de saúde disponíveis no mercado.
 
O presidente da ANS Abrahão descartou mudar a legislação para estimular esse tipo de plano, e ressalvou que a cobrança não pode ser incluída em contratos que tenham sido firmados sem o mecanismo. Segundo o diretor-executivo da Abramge, Antônio Carlos Abbatepaolo, a minoria da massa de clientes da maioria das operadoras atualmente paga coparticipação.
 
"Talvez a gente esteja chegando num momento em que essa questão tem de ser encarada como uma das opções viáveis para manter o sistema vivo", disse Abbatepaolo durante debate no evento. As operadoras estimam gastar mais de R$ 0,80 com o tratamento dos clientes de cada R$ 1 que arrecadam.
 
R$ 13,17 por consulta
 
Estudo da gestora e consultoria Aon com 423 empresas brasileiras divulgado recentemente aponta que 66% delas oferecem aos seus empregados tem planos de saúde com coparticipação. Nesse grupo, quase a totalidade (98%) exige a contrapartida no caso de consultas eletivas e mais da metade (62%), para terapias.
 
Segundo o levantamento feito recentemente, para fazer uma consulta eletiva, os funcionários das empresas onde há coparticipação têm de desembolsar em média R$ 13,17. Para exames complexos, o valor é de R$ 26,79 e, para terapias, R$ 12,13.
 
A Aon alerta que, ao mesmo tempo em que a coparticipação pode estimular o uso consciente do plano de saúde, a coparticipação deve ser adotada com cuidado pois pode inibir a continuidade de tratamentos.
 
Essa dissuasão tende a aumentar o gasto com o sistema de saúde, e não diminuí-lo – como é o objetivo da coparticipação – avalia Lígia Bahia, integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
 
"O Obamacare [reforma do sistema de saúde pública feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama] acaba de proibir a coparticipação. Ela é prejudicial à saúde".
 
A Aon reconhece a existência de desperdício no uso dos sistemas de saúde, mas afirma que outros mecanismos poderiam ser utiilizados, como a criação de prontuários eletrônicos para evitar encaminhamentos e exames desnecessários e o atrelamento da remuneração paga a médicos e instituições à qualidade do serviço prestado.
 
Fonte da noticia: economia
 
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