Milhões de pessoas enfrentam a triste realidade de quem é obrigado a usar postos de saúde no país

Fiscais dos Conselhos Regionais De Medicina visitaram mais de dois mil postos. E a situação é alarmante: falta remédio, falta equipamento. Às vezes, falta até estrutura. É essa a triste realidade que milhões de brasileiros enfrentam todos os dias.
O martírio de quem usa os postos de saúde, muitas vezes começa antes mesmo da porta de entrada. Mais de dezs degraus separam a calçada da porta do posto onde pacientes com dificuldade de locomoção buscam ajuda.
O Fantástico entrou em diversos postos de saúde pelo país para mostrar a situação precária, caótica e escandalosa sofrida por milhões de brasileiros que dependem do atendimento do SUS
 
A primeira parada é no estado do Rio de Janeiro. No município de São Gonçalo, existe um posto que não tem nem placa na porta. Na verdade, essa é só a primeira coisa que o posto não tem. Então, seja bem-vindo ao: Posto ‘não tem’. Paciente? Tem sim, doutor.
“Aqui tem caracterização de um pós-guerra. Parece que jogaram uma bomba e as pessoas retiraram e nós entramos para trabalhar”, revela uma médica.
 
Mas não é apenas no posto "não tem" que falta tudo isso. O Fantástico teve acesso com exclusividade a um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina sobre a situação dos postos de saúde em todo o Brasil. E o diagnóstico não é nada bom.
 
Ao todo, 52% dos postos não tem negatoscópio, aquelas máquinas luminosas que o médico usa para ver o raio X. E 29% não tem estetoscópio. Em outros 32%, o que falta é aparelho para medir a pressão. E de cada quatro postos pesquisados, um não tem esterilização de materiais.
 
A segunda parada da equipe do Fantástico é no norte do país, no Pará. E tem uma coisinha que acontece nessa região, que todo mundo que vive aqui sabe bem.
 
A chuva quando vem, vem do nada. Por isso que é ainda mais revoltante que nesse local, onde chove todo dia, a gente encontre o próximo posto dessa reportagem, que vamos chamar de: "Posto cachoeira".
 
E os funcionários sabem bem porque a situação chegou a esse ponto. “Esse prédio tem 10 anos. Nunca foi feito nenhuma manutenção”, conta um funcionário.
 
No mesmo estado, só que agora na periferia da capital, Belém, encontramos o que seria o: "Posto mágico".
 
Ao todo, 1,2 mil famílias são atendidas neste posto, mas nada é o que parece. A geladeira é estante. O freezer? Caixa de correio. A maca virou mesa e por último, o grande truque: a cozinha e o quintal se transformam em consultórios.
 
Em Maceió, o posto está fechado para reformas, e assim, o povo precisou de ajuda divina. “Há uns quatro meses a gente está aqui nessa igreja, que doou para a gente espontaneamente, sem cobrar custo nenhum”, conta a dentista Adeane Loureiro. Este é o: “Posto dos milagres”.
 
Os médicos, dentistas e enfermeiros fazem seus atendimentos nas salas e corredores do templo, mas a falta de equipamentos impede diagnósticos mais apurados. O que resta é a boa vontade dos funcionários, à espera de uma luz.
 
Também em Maceió, existe um posto que parece ter saído de historinha para fazer criança dormir. É o: "Posto faz de conta"
 
Todo posto de saúde precisa enviar ao Ministério da Saúde um cadastro com o seu número de profissionais, a sua estrutura e tudo mais que tem no posto. Esse cadastro é chamado de CNES, que significa "Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde".
 
Nesse posto, o diretor administrativo faz de conta que tem tudo que tem no CNES. Faz de conta que tem raio X, que tem mamógrafo. E também faz de conta que tem 136 médicos trabalhando, mas na verdade só tem 63.
 
 
Em todos os postos que o Fantástico visitou nessa reportagem, o que estava no cadastro enviado ao governo não era o que de fato se via nos locais. Mas o Ministério da Saúde nega que o cadastro seja usado para calcular o repasse de verbas.
 
Já a Controladoria-Geral da União, a CGU, afirma que sim, existe relação entre o cadastro do CNES e o repasse de verbas destinadas à atenção básica de saúde do governo federal para os municípios. Em 2014, a verba em questão foi de R$ 20 bilhões.
 
No meio desse disse me disse do governo, quem espera sofrendo é a população. E em uma comunidade, no interior do Espírito Santo, o povo ficou cansado de esperar.
 
Procuradas pelo Fantástico, todas as secretarias municipais de Saúde responsáveis pelos postos mostrados nesta reportagem responderam por notas.
 
A Secretaria do Rio de Janeiro, responsável pelo posto que não tem rampa de acesso na entrada, disse que a reforma está programada para começar em seis meses.
 
Com relação ao posto que chamamos de “não tem”, a Prefeitura de São Gonçalo alegou que o que falta no posto está disponível em outras unidades do município.
 
A Secretaria de Marituba, no Pará, responsável pelo posto com goteiras, disse que o teto vai ser reformado.
 
Em Belém, estão os postos chamados de “mágico”, “vapt-vupt” e “blindado”, a prefeitura afirmou que instaurou procedimentos administrativos para apurar todos os problemas.
 
Em Maceió, a prefeitura afirmou que vai resolver os problemas no cadastro do posto chamado de “faz de conta”. Em relação aos funcionários que atendem em uma igreja, informou que as obras do posto onde eles deveriam trabalhar serão concluídas em até 40 dias.
 
E no Espírito Santo, onde a população constrói o próprio posto, a prefeitura de Governador Lindenberg afirmou que vai terminar a obra até o ano que vem e que os moradores não têm autorização para fazer o trabalho por conta própria.
 
Fonte da noticia: g1/fantastico
 
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